Traços de Caráter

Meu entendimento sobre Traços da Caráter segundo Reich:

 Por: Psic. Maria do Horto Palma Moraes.


        O traço esquizóide manifesta couraças mais visíveis na cabeça com testa alongada, nos seus olhos desconectados que olham sem olhar e nas suas articulações marcadas pelos ossos aparentes. 

Essas são características que se formam ainda no útero materno onde se sente desconfortável, com medo de ser rejeitado, por conta de sentir o útero, que é o seu mundo naquele momento, como desconfortável, frio é tenso, toma forma de um corpo que precisa distância corporal, e uma cabeça mais alongada que tenha muitas idéias, muita criatividade e ali possa ter um mundo só seu. São pessoas criativas, racionais, reflexivas, pessoas que pensam muito e tem ótimas idéias.

Por que essa configuração nas articulações, exatamente? Porque nossas articulações tem a função de integrar corpo e mente. No caso do esquizóide essa integração é tênue, mente e corpo parecem fragmantados, eles têm dificuldade para estabelecer vínculos e contato, principalmente o corporal.


       O traço oral manifesta suas couraças no rosto, nas bochechas, na boca e  num corpo redondinho e fofinho. Essa aparência se forma para ganhar colo, carinho, amor, contato e garantir não ser abandonado. Não suporta a tristeza proveniente do medo do abandono. Por isso chora com muita facilidade, fala muito e come muito para não sentir o vazio no seu peito. Pessoas que tem essa dor existencial comem muito e engordam ou não comem nada e emagrecem, mas sempre usando uma compensação para preencher esse vazio de amor, contato, cuidado. Por isso tornam-se excelentes comunicadores, tem dentes grandes, lábios cheios e uma boca grande com um enorme sorriso para sempre cativar seu interlocutor e não ser abandonado.


      O traço psicopata tem sua origem quando a criança começa a descobrir o mundo, mexe em tudo, sobe, desce, põe o dedo na tomada e ouve muitos nãos. Tem que responder e articular muitas pessoas e coisas, uma vez que são inúmeros os estímulos do ambiente no dia a dia. Essa criança se envolve com a variedade do mundo e das pessoas. Logo percebe que recebe atenção quando agrada seus pais e aos outros, mas ninguém lhe atende em suas necessidades quando está fazendo suas experiências, descobrindo o mundo e fazendo o que precisa ou deseja. Dessa forma a criança se sente usada, manipulada. A palavra manipulação vem de mãos. Nessa fase suas mãos são ativas, precisa muito manipular coisas, explorar o meio, mas também é manipulada, explorada e  até abusada, negativamente, pelos adultos. Tem que articular, negociar, fazer “chantagens” com os adultos para conseguir o que quer. Para isso usa muito os braços e as mãos, desenvolvendo ombros largos, tronco triangular, com um aspecto de que não só o seu peito avança, mas o corpo todo, desde suas pernas. Por isso seu corpo e seu olhar é mais avaliador compenetrante e imponente, causando medo no seus interlocutores, mas ao mesmo tempo sendo irresistivelmente sedutor.


     O traço masoquista tem uma couraça visível sobre as costas, como se carregasse muito peso sobre seus ombros. Quando ficam idosos, apresentam uma corcova acentuada, que lhe pesa a ponto de curvar a coluna. Essa couraça, o ser humano vem estruturando desde a época do desfralde, do controle dos esfíncteres. Toda uma história de humilhação se manifesta aí, exatamente na área correspondente ao intestino grosso na Medicina Chinesa. E também na região do quadril, com uma forte tensão nos glúteos. Na juventude, tem uma aparência de um corpo forte e resistente.

Existe um preconceito quando se fala em masoquista, mas saibam, são as pessoas que suportam situações desafiadoras, capazes de darem conta de tarefas que exigem persistência e processos difíceis. Além de apreciarem ajudar os outros da melhor forma com o objetivo de serem respeitados como pessoas e profissionais. 

As dores na escápula derivam das tensões nessa região, do peso emocional que carregam de forma inconsciente e também de um intestino também disfuncional, que muitas vezes, nem é percebido. 

Nos momentos de estresse, quando aflora a dor existencial instalada na infância, essa disfunção pode se tornar visível no corpo, no comportamento e na emocionalidade, podendo manifestar explosões de raiva.


      O traço rígido desenvolve a couraça mais aceita e admirada, pois virou padrão de beleza. Por que será?

É a couraça que conforma um corpo esbelto, bem delineado, harmônico. O corpo que toda a mulher inveja. Será que essa beleza é sinônimo de traço da caráter saudável? Não. Pode ter muitos conflitos marcados no desenvolvimento desse corpo. Ele se desenvolve harmonioso para chamar a atenção do pai, no caso da menina ou da mãe, no caso do menino, pois aquele é o seu primeiro objeto de amor. E se essa menina tem uma boa relação edípica com o pai, teve uma experiência inicial com sua sexualidade de menina, embasada na relação saudável com o primeiro homem de sua vida, poderá se tornar uma mulher atraente e atrairá homens melhores que seu pai, podendo fazer parcerias estáveis, relacionamentos saudáveis e ser competente e pró-ativa na sua profissão e na sua vida pessoal, sexual, familiar. Caso a relação com seu pai seja disfuncional, a competição com a mãe e com as outras mulheres será prioridade na sua vida e sempre terá relacionamentos triangulares ruins com os homens, porque seu pai será uma figura ideal e seu desejo de ser reconhecida como mulher, por esse pai, será uma meta inatingível, pois há um déficit no seu desenvolvimento, não teve o pai para se relacionar nas suas experiências básicas, quando estava se descobrindo como mulher e percebendo suas primeiras sensações na região dos genitais. Assim desenvolve uma couraça bonita que pode ser funcional ou disfuncional. A disfuncional é muito perceptível quando a menina é mal orientada, ou é abusada, sendo obrigada a usar da sexualidade genital precocemente, acumulando e formando uma estase energética na área pélvica. O mesmo acontece com o menino, em relação a mãe.


Por que cada traço de caráter não consegue alcançar suas metas?

Porque quando entra na dor, acha que está muito mal e não conhece seus recursos; cada traço de caráter tem uma emoção e um trauma da infância, que aflora, e a pessoa age como uma criança e não como adulto.


O esquizóide pelo medo do contato, da exposição e por se sentir facilmente rejeitado, desiste. Na sua dor, volta para o útero materno, dentro da sua cabeça.


O oral, porque ante qualquer conflito, se sentirá abandonado,  sentirá muito, chorará muito e voltará ao seu primeiro ano de vida desejando colo e como não mais vai receber, poderá se deprimir e sem energia, procrastinará.


O psicopata quando entra na sua dor existencial, sente-se abusado, invadido e desconfia dos outros, passando para um comportamento mais agressivo ou de vitimização, para manipular os outros, para conseguir o que quer. Num primeiro momento até consegue, mas mais à frente, isso não se sustentará. Ninguém consegue ganhar sozinho.


O masoquista não consegue realizar suas metas por ser perfeccionista e ter muito medo de errar; então ele planeja, revisa, crítica, mas nunca está bom o bastante para colocar em prática.


O rígido não consegue alcançar suas metas, porque está sempre triangulando, desconfiando de seus pares, se achando traído, competindo e querendo sempre ter razão.


Que parte do seu corpo você não gosta? Se pudesse mudaria?

Que parte de seu corpo você mais gosta?

Essa couraça, se disfuncional, indica sua dor existencial, seu ponto de regressão e seu maior empecilho para realizar sua metas e fazer do seu existir um estado de felicidade, muita energia e muita prosperidade.


Nosso corpo vai se moldando desde as vivências no útero materno e no decorrer da primeira infância. 

Já nos primeiros dias após o nascimento, os olhos de um terapeuta experiente, pode perceber como aquele bebê se sentiu no útero materno. O corpo tem uma inteligência natural e tem seus registros.

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